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Transparências

A partir da leitura dos textos Ontological Designing (Willis, 2006) e Matters of Care in Technoscience (Puig de la Bellacasa, 2011), meu interesse fixou-se na relação entre pessoas e objetos mediada pela transparência. Em minha pesquisa sobre o conceito de transparência, observei que, majoritariamente, a transparência é tratada no contexto da relação entre governos e a coisa pública, servindo como um meio para combater a corrupção. No entanto, este não era o ponto de interesse principal para mim. Encontrei também o conceito de transparência abordado como ato de cuidado ético, honestidade e sinceridade nos relacionamentos. No sentido metafísico, a transparência apareceu como aquilo que é diretamente acessível à nossa experiência (Husserl, 2006).

Com base nessas ideias, deixei que os materiais me guiassem. Recolhi todos os materiais transparentes que eu tinha em casa e que poderiam ser usados no experimento. Visitei lojas de utensílios e comprei mais objetos transparentes, além de material para cola quente. Organizei tudo sobre a mesa e comecei a manuseá-los. Inicialmente, minha intenção era criar uma casa transparente. No entanto, não consegui produzir a casa com os materiais disponíveis. Continuei experimentando, enfrentando as dificuldades de cortar texturas e aprendendo a manusear a cola quente.

Durante esse processo, refletindo sobre qual seria a relação se tanto as coisas quanto as pessoas fossem transparentes, fui levado à ideia de passagem entre corpos, atravessamentos. Questionei-me sobre o nível de transparência que o ser humano precisaria atingir para viver em estreita relação, atravessado, com os objetos. E até que ponto essa transparência, que geralmente se refere à abertura, não evoluiria para uma fusão de corpos, um terceiro significado que resulta da combinação de dois ou mais outros. A partir dessas reflexões, nasceu o protótipo.

Durante a apreciação relacional do protótipo em aula, surgiram novas questões. Dentre elas, a ideia de que um novo imaginário de coisas em relações transparentes pode levar a perturbações das referências estabelecidas. Além disso, foi discutido que, nesta circularidade entre seres e coisas, o ser-de-design que se projeta na simbiose com os objetos pode aprender sobre sua própria agência, sobre a agência do outro e sobre esse “nós” materializado e inseparável, que pode até assumir aparência grotesca e angustiante, um novo ser-no-mundo.

 

REFERÊNCIAS

Willis, A.-M. (2006). Ontological Designing: laying the ground. Design Philosophy Papers, 4 VN-re (2), 80–98.

Husserl, Edmund. Ideias: Introdução Geral à Fenomenologia Pura. Tradução de Marcia Sa Cavalcante Schuback. São Paulo: Edições 70, 2006.

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