Sobre um cuidado situado
- Tássia Ruiz
- 22 de set. de 2021
- 2 min de leitura
Cuidar não é apenas se preocupar com algo, seu sentido chama o design para um pertencimento, presente e atento a uma situação, especulativo, vulnerável e crítico sobre as relações que acontecem nesse espaço.
'Minhas' linhas, 'minhas' agulhas, todas as pequenas coisas que fazem parte do 'meu' fazer crochê, toda essa preocupação em organizar e desvendar o que cada uma faz e o resultado que cada uma proporcionam me guiaram no começo, me bastaram como aprendizado e para suprir minha curiosidade, todavia são conhecimentos que não são mais suficientes para demonstrar o que o gesto de tecer linhas representa para todos que, em algum momento, foram afetados por um singelo hobby.



No mundo como ele é aqui em casa, as coisas são mais caóticas, desordenadas, emocionais, etc... alguns 'seres' ficam pelo caminho, incompletos e abandonados... outros são desmanchados e, sem dó, voltam a ser linha (linha-torta :/), alguns ficam bons, e nunca tenho linha!

Mas, o que gostaria de chamar a atenção aqui é que, ao analisar a imagem das coisas que faço, é possível inferir que existe alguém que produz esses objetos, essa é, certamente, uma visão limitada das relações que permeiam meu fazer. O que está invisível?...pode ser a senhorinha paciente que na loja de aviamentos dá dicas de como não tirar o novelo do plástico, ou o fato de que são raros os seres de linha que permanecem em seu local de origem.
Em um design situado e atento a diversidade dos modos de ser, me parece que o mais relevante é chegar ao ponto em que, esse fazer descompromissado de crochê está vinculado ao potencial de proporcionar que 'minhas' linhas pertençam a outros mundos, que sejam 'bichinhos' ou, melhor, amiguinhos de um outro alguém-miúdo(a). Não existe mais 'minhas' linhas.
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