Será que pertenço?
- Fernanda Slavutzki
- 16 de dez. de 2022
- 2 min de leitura
Começo o segundo semestre no PPG, com a esperança de conseguir me sentir mais à vontade com os textos do design.
A leitura que deveria dar origem ao primeiro protótipo me mostra que ainda preciso de tempo de adaptação. Mais uma vez senti um peixe fora d'água.
A leitura acontece, os insights estão preguiçosos.
Uma noite naquela semana, quando fui procurar algo entre os brinquedos dos meus filhos, lá estava ele: o E.T. Peguei na mão, achei que ele falava sobre como aquele texto e aquele início das aulas chegava em mim. Trouxe ele para perto, deixei mais visível ao longo dos dias para amadurecer a possibilidade de ele fazer parte daquilo que eu iria construir.
Uma das coisas que tento fazer constantemente, é conectar qualquer tema do mestrado com o meu tema de interesse: educação. Com o passar da semana, não consegui achar essa conexão. Mas na noite anterior à entrega, quando finalmente aceitei que o boneco do E.T. seria meu porta-voz, decidi fazer um vídeo. Precisei da ajuda da minha filha Alice para realizar o efeito que queria. Eu não sabia como executar o que pensava, mas para ela, viabilizar a ideia no TikTok era algo simples. Ficamos as duas por um bom tempo trabalhando no projeto. Ela me ensinando. Eu, que na maior parte das vezes ensino, aprendendo. Os diversos insights sobre educação que eu procurava, partiram desse ponto. Das oportunidades de aprendizado que existem quando saímos do lugar que estamos acostumados a ocupar. O PPG representa também isso para mim.
O vídeo, então, se propunha a ser algo que demonstrasse meu sentimento com esse retorno às aulas, a primeira leitura e a primeira proposta de trabalho: alguém que não se sente pertencendo a um determinado meio, mas que está disposta a mudar de lentes, ver as coisas sob novos pontos de vista. Pensei nos óculos, representando essa mudança de lentes. Mais literal impossível. Era tão "não experimental"... A experiência com o primeiro protótipo foi interessante para criar a consciência de que para pertencer a este lugar, talvez seja preciso deixar a literalidade de lado e aceitar a ideia de que quando iniciamos algo, nem sempre é preciso ou mesmo desejável saber onde se quer chegar.
Texto de Referência: Meyer, G. A Experimentação como Espaço Ambivalente de Antecipação e Proposição de Controvérsias. Revista Estudos em Design. Rio de Janeiro: v.26/n.1, p. 29–47. 2018.
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