Aceita um cafezinho?
- jumader9
- 16 de dez. de 2022
- 1 min de leitura
Atualizado: 9 de jan. de 2023
A preocupação com o cuidado afeta a forma como observamos e agimos no mundo. Quando o cuidado está para além de uma disposição moral ou de uma atitude bem-intencionada, ele se integra à vida e se desvincula dos valores normativos agregados.

“Você aceita um cafezinho?” – quantas vezes você ouviu essa frase, abastecendo o carro no posto de gasolina? Seria o cuidado sem interesse? Ou podemos pensar em substituir o interesse pela preocupação em agradar, se destacar, fidelizar o cliente? Talvez sim, talvez não. Pois para cuidar efetivamente de algo/alguém, é preciso levar em conta todas as preocupações que se ligam à ela e a todos que cuidam dela; uma ecologia cíclica. Mas café na bomba de gasolina é a responsabilidade prática de assumir o (auto) cuidado. E quando essa preocupação é percebida, contribui-se para o conhecimento/percepção de outros pontos de vista. O cuidado é um fazer necessário que direciona nossa atenção para fazeres desvalorizados: “Você aceita um cafezinho?”... o cuidado não deve ser visto apenas como uma postura moral, mostrar que você se importa sinceramente, engajar-se afetivamente, é transformar-se explicitamente na representação das coisas. Nunca mais abasteci em outro posto, e sigo sendo surpreendida por um belo cafezinho na bomba de gasolina. Pode ser o início de um construtivismo social e de uma ética mais humanizada, pode ser... ou são apenas evidências da importância do cuidado com a vida, incluindo vínculos afetivos que envolvem outras maneiras de entender e representar questões e agenciamentos sociotécnicos que têm importantes efeitos na (re) criação do mundo.
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