Protótipo 3: Cuidado De Ana
- Aline do Prado Rezende
- 14 de jun. de 2024
- 1 min de leitura

Sonhei que era a Ana e quis destruir meu trabalho. Felizmente, sou neta de Ana, que me cuidou e me ensinou sobre o cuidado, o oposto de destruir, algo mais relacionado a manter vivo.
Descobrimos a relíquia da imagem entre as caixas de uma casa desativada, entre coisas que não conseguiram durar. Quem preserva o que acumula pó? Quem cuida de quem cuida?
Lembro das feições cansadas e femininas, da reorganização da casa dedicada às minhas travessuras, um exercício contínuo de resiliência e criatividade. Como eram designers essas mulheres, mesmo quando eram tantas outras coisas para poder continuar cuidando.
No final das contas, o estado de quem cuida tende à solidão, à sensação de desamparo, às desvantagens nas corridas da vida que ninguém perguntou se queríamos estar. Mesmo que seja exatamente uma atividade que nos mantém vivos.
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