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Panela

As questões de cuidado estão explícitas nos artefatos? O cuidado pode ser projetado?

Como o designer projeta para uma relação de cuidado? E como o cuidado pode florescer por meio de artefatos triviais?


Partindo da imagem da panela de ferro de minha bisavó (Gabriel), propomos um poema que tenciona alguns destes questionamentos. Tenciona a agência e o papel de um artefato ancestral trivial nas questões de cuidado.


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Eu vim de longe

A minha rota se fez de mão em mão

Mãos delicadas, mãos trabalhadoras, mão culinárias, mãos femininas


Eu fui da bisa, da avó e agora sou da mãe

Fui de todas que sempre cuidaram de todos

De todos nem sempre sabiam como cuidar de todas


Eu sou feita de ferro

Fui feita por muitas mãos e martelos

Nasci com um propósito, mas a vida me colocou em outro


Eu fico na cozinha

Ando um pouco esquecida, mas sempre alguém vem me ver

Normalmente ela sempre se lembra de mim


Poema escrito por Gabriel Tassinari e Lara Luft


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Pensar em questões de cuidado no design, é pensar também nos significados invisíveis dos artefatos. Significados que extrapolam a forma e a função. Significados que são atribuídos por quem os manuseia, mas também pelo próprio artefato e a situação em que se encontra.


Na panela passada de geração para geração, estão presentes camadas de um fazer material com dimensões afetivas e políticas. Estão materializados significados que reverberam para além da cozinha; passando por mim, por você e por quem mais estiver envolta de uma panela de ferro.

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