O “sari” masculino indiano: Uma perspectiva ontológica sobre o design
- Douglas Panatta
- 2 de jul. de 2024
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PROTOTIPO 2:
O “sari” é tradicionalmente associado ao vestuário feminino na Índia, mas poucos sabem que ele também tem uma versão masculina: o "veshti" ou "dhoti". Este é um exemplo de como um simples pedaço de tecido pode desafiar nossas noções de design, identidade e funcionalidade. Através das lentes do design ontológico, exploramos como o "sari" masculino transcende seu papel como mera roupa, tornando-se um artefato multifacetado com diversas interpretações e formas de uso.
Mais que apenas tecido
Pela perspectiva do design ontológico, cada objeto não é apenas uma coisa estática, mas um ser em potencial constante de transformação.
O design ontológico é, então, uma hermenêutica do design preocupada com a natureza e a agência do design, que entende o design como uma prática descentrada do sujeito, reconhecendo que as coisas, bem como as pessoas, também fazem design, e a partir disso, um argumento para formas particulares de realizar a atividade de design.
Willis, A.-M. (2006). Ontological Designing: laying the ground. Design Philosophy Papers, 4 VN-re (2), 80–98.
O "sari" masculino é um excelente exemplo dessa teoria. Embora inicialmente percebam-no como um simples pedaço de tecido, sua essência multifuncional permite que ele se transforme em diversos artefatos.
Por exemplo, amarrado de maneiras diferentes, o "veshti" pode se tornar uma vestimenta formal ou um traje de trabalho. Dobrando de formas específicas, serve como um turbante, protegendo contra o sol intenso. Durante a apreciação ocorrida em sala de aula pode-se perceber que cada designer atribuía um significado ou usabilidade distinta para o artefato “sari”, posicionando-o desde um simples pedaço de tecido a “amarração cruz envolvente” utilizada para carregar bebês rente ao corpo da sua mãe ou pai.
O “sari” masculino indiano é muito mais do que um simples pedaço de tecido: é um estudo de caso sobre como o design ontológico nos permite reimaginar a natureza dos objetos ao nosso redor. A versatilidade dele nos mostra que, enquadrando o design sob uma perspectiva ontológica, um único artefato pode se transformar em uma infinidade de formas e funções, refletindo identidades individuais e coletivas.
Referência bibliográfica:
Willis, A.-M. (2006). Ontological Designing: laying the ground. Design Philosophy Papers, 4 VN-re (2), 80–98.
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