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O caminho se faz ao caminhar


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A célebre frase de autoria do poeta espanhol Antonio Machado nos coloca suavemente mais próximos do pensamento ontológico e daquilo que possivelmente vem a ser o design ontológico. Confesso que sempre soube que em algum momento do caminho do mestrado iria ser convidada para não dizer obrigada a mergulhar no mar azul profundo e infinito do filósofo alemão Martin Heidegger. Já havia tentando me aproximar de alguns de seus textos e densas reflexões acerca das ontologias que nos levam em direção á pura essência do "ser" além da busca pela essência da obra de arte que segundo ele seria a poesia, e a essência da poesia, a verdade.


O protótipo B já havia começado a se projetar muito antes da leitura do texto, a partir de incômodos e desconfortos ao longo do meu caminho como designer. Mais especificamente, comecei a fazer um exercício de responsabilidade pessoal em relação ao meu lixo e ao longo dos últimos seis meses guardei a maioria das embalagens de produtos que consumi ao invés de descartá-las para sabe-se lá onde, o "lixo" vai. Sempre ao final da experiência com aquele produto, eu ficava com a sua carcaça, com seu corpo morto literalmente nas minhas mãos. O que fazer com tantos produtos, objetos, artefatos que não tem mais usabilidade nenhuma a não ser poluir e deteriorar o planeta?


Foi assim que fui montando, colando, selecionando, criando texturas e harmonias volumétricas unindo todo o meu lixo e ressignificando em cima de uma base muito simbólica: um quadro herança da minha avó materna, uma pintura de uma santa que passou anos sendo rejeitado por parte das filhas dela, minha mãe e minhas tias. Que mesmo não gostando muito do efeito estético do quadro, não conseguiam se desprender dele pelo valor afetivo que mora nele.


A cor vermelha foi a única certeza que tive desde o início pois simboliza o sangue, o nascimento e a morte, juntos, eternamente, ontológicamente. O Designer se transforma ao fazer design assim como o design se transforma através do designer. E ao me permitir extrapolar estes sentimentos e ações a partir da leitura do texto, novos significados foram surgindo na construção do protótipo. Consegui unir as minhas duas avós já falecidas nesta mesma obra, pois o protótipo seguiu sendo montado na parede do quarto da antiga casa da segunda avó, a paterna. Quarto no qual ela suavemente faleceu dormindo.


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Ao sentir que o protótipo ainda tinha potencialidades de expansão estéticas e de significado, comecei a criar uma moldura para o quadro diretamente na parede.


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Por fim, aceitei a condição efêmera da obra assim como as infinitas possibilidades futuras de um protótipo aberto, sem fim, e encerrei o exercício criando um portal.


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