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Euforia, a jornada do prazer para mulheres 50+

Atualizado: 2 de ago. de 2024

Atenção, essa página contém imagens sensíveis/conteúdos explícitos. 


O que é prazer para mulheres 50+? Quais são os limites desse prazer? O que pode o design estratégico nesse contexto?


Os designers estratégicos têm olhar atento para os problemas complexos e compreendem as crises como problemas de design, oportunidades para a inovação. Na disciplina de Experimentação em Design Estratégico, durante as discussões do grupo, na busca de identificar no cotidiano imediato episódios de crise que pudessem gerar, de forma criativa, situação de projeto, a temática do prazer para mulheres com mais de 50 anos foi escolhida. A partir da compreensão inicial das necessidades das pessoas e do contexto em que estão inseridas, buscou-se por ações efetivas e relevantes. Assim, nosso grupo desenvolveu o protótipo experimental “Euforia, jornada do prazer para mulheres 50+” com o objetivo de suscitar discussões sobre o prazer sexual para mulheres de 50 anos ou mais. O presente relatório, organizado conforme as etapas do desenvolvimento da atividade, tem como objetivo descrever o processo de prototipagem. 


Fase 01 - Engajando: "Onde está a crise?"


No primeiro encontro do grupo, a temática sexo foi pauta importante. Na ocasião, em reunião online devido às consequências das enchentes que assolavam o Rio Grande do Sul, cuja pauta eram as possíveis situações de projeto de design a partir da crise climática, de forma paralela, a equipe discutia compra coletiva de produtos de sex shop.

A partir da pauta da reunião, motivados por argumentação de integrante da equipe relativo ao livro “Ideias para adiar o fim do mundo” do escritor Ailton Krenak, a situação de projeto escolhida foi a possibilidade de abordar as consequências da crise climática e, por decorrência, da situação das enchentes no Rio Grande do Sul por meio da Cosmovisão dos Povos Originários. Discutiu-se que as enchentes atingiram diversas aldeias indígenas e territórios quilombolas e que, na cosmovisão dos povos originários, os impactos das mudanças climáticas, bem como a dificuldade de lidar com os mesmos, estariam ligados à relação de distanciamento que o ser humano branco, colonizador e capitalista empreende na relação com a natureza, tomando-a apenas como recurso a ser utilizado. 

A partir da definição da situação de projeto, foi agendada reunião online com o Sr. Mario Fuentes Barba, assessor para assuntos de imigração e povos indígenas da Prefeitura de Porto Alegre, contato que um dos integrantes da equipe possuía. A reunião com o representante dos povos indígenas foi muito importante para aprofundar o conhecimento sobre os impactos das enchentes nos territórios do Rio Grande do Sul,  no entanto, diante da situação de calamidade, não foi possível realizar visita à aldeia indígena para ações necessárias ao melhor delineamento e prosseguimento do projeto no tempo disponível.
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No segundo encontro, antes de discutir sobre como ocorreria o prosseguimento do trabalho, novamente a temática do sexo se impôs entre as conversas da equipe. Nesse momento, percebeu-se que esse tema também representava uma crise. A partir deste novo consenso, a conversa da equipe girou em torno da percepção de cada um sobre o prazer sexual e como a temática do sexo foi abordada ou não na família. Discutiu-se também como foi para a colega Lisane, única integrante mulher da equipe, conversar com sua filha sobre sexo, e que tabus limitam a necessária liberdade para tratar do tema com naturalidade nas famílias. Refletiu-se sobre como algo tão vital e indomesticável como o prazer se torna uma temática tabu no contexto das famílias, gerando reflexos deletérios sobretudo para o desenvolvimento das mulheres e, dentro dessa população, ainda às mulheres com mais de 50 anos. A partir deste ponto, questionou-se, então, quantas mulheres nunca tiveram um orgasmo em toda a vida. Assim, a crise a ser abordada pelo grupo na atividade da disciplina de Experimentação em Design Estratégico recebeu a delimitação inicial.   

O primeiro foco temático foi discutir o prazer como pauta entre pais e filhos, onde os filhos promoveriam a discussão sobre sexo com viés de prazer e não reprodutivo, invertendo a direção da famosa “conversa”, em que os pais orientam os seus filhos sobre sexo.

Na discussão da temática com os professores da disciplina, percebeu-se que o foco da discussão não precisava ser necessariamente entre pais e filhos. Decidiu-se tensionar ainda mais e abordar o prazer de mulheres de 50 anos ou mais, grupo que não é encorajado a explorar essa dimensão em nossa sociedade estruturalmente machista e focada na juventude.
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Fase 02 - Prototipando/Transformando


Com a temática do prazer para mulheres com mais de 50 anos, realizamos leituras iniciais e brainstorm, chegando à ideia principal: criar aplicativo de assinatura de homens similar ao Netflix, mas com serviços sexuais. A intenção estava em provocar discussão sobre a objetificação do corpo masculino como meio de discutir a objetificação do corpo feminino jovem e desprezo do prazer de mulheres com mais de 50 anos. No entanto, percebemos que o aplicativo acabou tomando um viés ainda centrado no homem e no seu corpo como objeto principal de prazer, exibindo apenas os atributos e habilidades dos homens.
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Em conversas com a professora Débora Barauna e discussões em grupo, entendeu-se que a abordagem empenhada mantinha o prazer feminino atrelado apenas à figura masculina. Entendeu-se também que a centralidade masculina não era o foco do projeto, e que as mulheres com 50 anos ou mais não podiam ser tratadas no escopo do projeto como um corpo homogêneo. Mais do que isso, a autonomia de cada uma em tomar as decisões em relação ao seu prazer deveria ser o ponto central. Nesse contexto, os homens poderiam ser vistos como facultativos, não essenciais ou até dispensáveis dependendo do prazer feminino. Assim, chegou-se ao conceito da "jornada do prazer feminino 50+", onde o foco está na jornada de autoconhecimento, redescoberta e valorização do prazer feminino de forma autônoma, gradual e empoderada.


Fase 03 - Prototipando/Engajando


A partir dos realinhamentos operados na fase 02, a equipe do projeto entendeu necessário buscar mais informações sobre o público alvo da proposta. Neste momento, as informações disponibilizadas por Zanatta (2023) sobre o quanto a saúde sexual das mulheres “maduras” é pouco atendida por empresas de todos os segmentos empresariais, oportunidade de negócio negligenciada no Brasil; o mapeamento realizado pela Pesquisa Prazeres (2023), que evidenciou dados como: “6 em cada 10 brasileiras não se dedicam ao próprio prazer”, “22% afirmam ter pouco conhecimento sobre o próprio corpo”, “32% delas não sabem o que são zonas erógenas.”, “40% das mulheres dizem que sabem o que gostam no sexo.” e “79% afirmam que já fingiram orgasmo.”; bem como as informações de ABDO(2009) oriundas do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, que pontuam as inúmeras causas que interferem no prazer sexual feminino, dentre elas: a educação rígida, a estimulação inadequada das zonas erógenas, os conflitos conjugais, a violência sexual, os problemas psicológicos e físicos, o uso de medicamentos, mas sobretudo os processos que atingem diretamente as mulheres com 50 anos ou mais, notadamente às questões hormonais e menopausa.

Não bastando as informações teóricas decorrentes dos estudos citados, a equipe do projeto entendeu interessante produzir pesquisa no google forms https://forms.gle/1bqQx474tv7Tk9nLA para colher mais dados locais sobre as percepções das mulheres com 50 anos ou mais. A referida pesquisa foi respondida por 10 mulheres dentro da faixa etária e as respostas, de forma geral, refletiram as informações científicas que a equipe já possuía.
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A ampliação dos conhecimentos sobre o público alvo motivaram alterações importantes na construção do aplicativo, desde a necessidade de repensar sua identidade visual, sua linguagem, as etapas da jornada, a abertura para questões mais informativas e questões relacionadas a experiências educativas e médicas necessárias para boa parte das mulheres.

O protótipo recebeu o nome de “Euforia”. A escolha do nome se deu quando entendemos que o prazer, o orgasmo, o clímax da relação sexual adquire uma euforia diferenciada quando a mulher de 50 anos ou mais sabe-se dona do próprio prazer. O nome reflete o processo de desenvolvimento que a jornada quer entregar às usuárias.

Para a identidade visual, buscou-se utilizar cores que remetessem ao prazer, mas sem que transparecessem algo literal. Optamos por tons que evocam o sexo de maneira discreta e poderosa, como o vinho, o vermelho queimado, o pêssego e o off-white, além das cores básicas preto e branco. Essas escolhas visam criar uma atmosfera sofisticada e elegante, que valoriza o prazer feminino sem cair em clichês.

Para o lettering da marca, escolhemos fontes tradicionalmente associadas a comunicações voltadas ao público feminino, conferindo um toque de feminilidade. O logo, representado pela letra "f" de euforia, foi desenhado com formas curvas que evocam sensualidade e lembram discretamente alguns brinquedos sexuais destinados ao prazer feminino.

O processo de naming e identidade visual buscou harmonizar a mensagem de empoderamento e autodescoberta com uma estética visualmente atraente, criando uma identidade que celebra a sensualidade e a autonomia das mulheres com 50 anos ou mais.
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Fase 04 - Transformando


No delineamento da "jornada do prazer feminino 50+", entendeu-se que ao ingressar no aplicativo por meio da criação de conta/login, seria necessário, pensando na importância das preliminares ao ato sexual, que a mulher pudesse - por meio da resposta a questionamentos sobre o prazer feminino 50+, por meio de informações sobre sua fantasias sexuais, por meio de informações sobre a diversidade (oceano) de opções em relação ao prazer e também sobre possibilidades que propiciam explorar/conhecer mais o próprio corpo -, se localizar no estágio da sua jornada: iniciante, intermediário e avançado. Aqui, a partir dos dados inseridos pelas mulheres, a inteligência do App iria disponibilizar, de forma personalizada, produtos, atividades e desafios a cada mulher.


A partir das proposições/desafios personalizados que a usuária iria recebendo semanalmente e executando dentro da sua liberdade na jornada, painéis para acompanhamento estariam disponíveis para acompanhamento do desenvolvimento do prazer. A ideia desta etapa de metrificação foi, a exemplo do acompanhamento do ciclo menstrual ou mesmo acompanhamento de qualquer atividade prolongada, no sentido da mulher ter nas mãos o seu percurso no aplicativo. Aqui há também processo psicológico de se motivar pelos resultados, de se conhecer pelo que consegue ou não consegue evoluir, insumos que podem ser levados para outros estágios como consulta com médica, psicóloga ou sexóloga disponibilizados ou mesmo para a avaliação do App. Para compreensão das métricas, materiais complementares e assessorias especializadas seriam disponibilizados, reforçando o processo informacional, educativo e de autonomia na jornada.

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Entrando na segunda parte da jornada, a usuária poderá consignar suas preferências a partir de cinco categorias: homens, mulheres, brinquedos, equipamentos e fantasias. Nesta etapa do App, também é disponibilizado botão com ícone de diabinha, botão que pode ser acessado a qualquer momento e que, ao ser acionado, descortina possibilidades mais picantes em termos de fetiches sexuais. Nessa etapa também está disponível a possibilidade da mulher definir os limites de uma experiência sexual real completa. Se esse é seu interesse no momento, ela pode, também de acordo com sua escolha, definir um nome (persona) específico para esta experiência específica.

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Escolhendo a mulher usar a possibilidade homem, lhe é apresentada tela para definir os parâmetros sobre o homem que deseja. A classificação dos homens se dá pelo tamanho e diâmetro do órgão sexual deles, pela idade e pelo grau de inteligência. Há também a possibilidade de definir o nível de atitude do homem, caso ela deseje um homem com mais atitude, que comande a relação, que utilize linguajar mais específico, a exemplo de xingamentos, ou um homem com menos atitude caso ela queira dominar a relação nesta experiência. Outros parâmetros como o tempo da experiência também ficam disponíveis para serem definidos por ela.

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As categorias mulheres, brinquedos, equipamentos e fantasias também precisam ser personalizadas. Para isso, catálogos específicos são apresentados facilitando a visualização do oceano de opções. Por fim, a mulher pode determinar onde ela prefere que a experiência de prazer ocorra: na própria casa dela, num motel, hotel, num quarto com banheira, as opções são muitas. A App funciona como um carrinho de compras em que ela vai colocando todos os utensílios para a experiência e, antes de finalizar a compra, ainda há uma última possibilidade, ícone de diabinha.


Caso a mulher deseje acionar o ícone da diabinha, uma terceira área do App lhe é disponibilizada. Esta área sensível apresenta possibilidades de fetiches, que ela pode avaliar conforme seus desejos. Também pode escolher algum para incluir no seu carrinho de compras para a experiência da vez. Os fetiches são escalonados desde os mais simples até os mais complexos, pensando no processo da jornada cada vez mais profunda ao encontro da euforia de quem tem o que quer, usa esse poder, define o seu caminho em relação ao próprio prazer.


Concluindo todos parâmetros desejados para a experiência de prazer, é apresentado o resumo da compra. No local selecionado, na hora definida, pelo tempo definido, o(s) homem(ns) ou a(s) mulher(s) dentro dos parâmetros definidos, com as fantasias, instrumentos selecionados e com conhecimento dos fetiches definidos estará(ão) disponível(is) para uso.

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Euforia foi criado como proposta de design experimental para, em meio à prática projetiva, pensar como o design estratégico poderia suscitar, provocar, tensionar a discussão sobre a crise que abarca o prazer de mulheres com 50 anos ou mais.

Euforia também foi uma possibilidade de provocar nas participantes, nos diversos estágios do experimento, reflexão sobre o seu prazer, abarcando vários níveis, desde o informativo até o nível de fetiche mais ousado. Tudo foi pensado para que a mulher possa exercer o poder da escolha, possibilidade pouco disponibilizada às mulheres com 50 anos ou mais conforme abordado nas pesquisas mencionadas anteriormente.

A jornada de pensar desde a ideia, passando pela contextualização da crise e a construção da intervenção até a apresentação da proposta para o público definido também foi jornada de adentrar no tema por parte da equipe do projeto, espécie de empatia possível no contexto desta breve prática projetiva. Sobretudo porque a equipe teve como composição uma mulher e três homens adultos, todos com idades inferiores a 50 anos, designers em formação.


Fase 05 - ENGAJANDO


Nosso método experimental ocorreu através da aplicação de entrevistas, com o objetivo de estimular um debate entre a ideia central do aplicativo e a entrevistada, em vez de seguir um formato tradicional. Entrevistamos cinco mulheres anônimas, com idades entre 38 e 86 anos, sendo que a mais jovem das entrevistadas é uma profissional no ramo de prazer feminino. A técnica de aplicação das entrevistas foi integralmente on-line, utilizando as plataformas Google Meet e Microsoft Teams. As entrevistas foram estruturadas da seguinte maneira: apenas dois membros do grupo participavam de cada sessão. Um membro assumia o papel de entrevistador e apresentador do aplicativo, enquanto o outro atuava como observador, responsável por registrar as respostas, bem como o comportamento e as interações da entrevistada. O aplicativo foi apresentado não como um protótipo, mas como um aplicativo que realmente seria lançado, o que enriqueceu o processo experimental. Esta abordagem permitiu uma coleta de dados mais rica e detalhada, possibilitando um entendimento mais profundo das percepções e reações das mulheres em relação ao nosso aplicativo.

Para as entrevistas, apresentamos o aplicativo, apresentamos alguns estudos e fontes utilizadas em nosso desenvolvimento de prototipação. Em seguida, foram feitas duas perguntas: “Onde está o seu prazer” e “você já precisou fingir orgasmo?”. Após estas perguntas e ouvir as respostas das entrevistadas, partimos para a apresentação do aplicativo.

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Ao longo das entrevistas, as entrevistadas demonstraram uma ampla gama de reações, incluindo estranhamento, choque, curiosidade, interesse, risos e incômodo. Tais reações diversas refletem a complexidade e a sensibilidade do tema abordado pelo aplicativo de prazer feminino voltado para mulheres a partir de 50 anos. A primeira observação destacada é que, de maneira quase unânime, o prazer dessas mulheres transcende o ato sexual em si, sendo mais amplo e complexo. Para elas, o prazer está intimamente ligado ao envolvimento cotidiano, como jantares, companheirismo, toques, palavras e mensagens sensuais ao longo do dia. Além disso, um ambiente envolvente, a masturbação e atividades ao ar livre também são componentes significativos do prazer. O prazer é percebido no corpo de maneira holística, começando, ampliando-se e terminando em várias instâncias corporais.

Durante a apresentação do aplicativo, surgiram diversos questionamentos e debates. As entrevistadas perguntaram por que quantificar a quantidade de prazer e orgasmos da mulher e quais parâmetros o aplicativo utilizaria para considerar uma mulher de 50 anos ou mais como iniciante, intermediária ou avançada em termos de seu próprio prazer. Este último questionamento foi particularmente interessante, já que o grupo desenvolvedor é composto por três homens e uma mulher com menos de 50 anos, propondo um aplicativo voltado para o prazer feminino de mulheres a partir de 50 anos.

Uma das funcionalidades do aplicativo que causou surpresa foi a oferta de serviços sexuais prestados por homens reais. As entrevistadas acreditavam que estes serviços pertenciam à ordem da fantasia sexual, de forma virtual. A ideia de colocar o homem como um objeto a ser comprado pode ter soado de forma tão absurda que, para elas, tornou-se algo fantasioso.

Questões de segurança também foram levantadas. As entrevistadas questionaram quem garantiria a segurança das mulheres no aplicativo e quem asseguraria a segurança relacionada aos prazeres mais profundos. Um exemplo específico foi citado:  uma mulher com fetiche em sufocamento, quem garantiria sua segurança durante o ato? Este questionamento trouxe a reflexão sobre até que ponto um aplicativo pode ir em termos de proporcionar prazer, levantando importantes questões éticas e de segurança.

Uma das entrevistadas, com 86 anos e especialista no campo do design, salientou que não deveria ser papel do aplicativo impor às mulheres o que elas precisam. Ela argumentou que o projeto de design nunca deve ser da ordem do absurdo e não deve infringir os limites da lei. A entrevistada enfatizou que o design deve atuar como um intermediador, proporcionando uma gama de possibilidades para aquelas que necessitam. Em suas palavras, “Deixa a mulher livre para se descobrir, para escolher, para competir com a vizinha na quantidade de sexo por semana”.

As entrevistas revelaram uma percepção de prazer que é ampla, abrangendo muito mais do que o ato sexual em si. As participantes enfatizaram que o prazer está interligado a diversas dimensões da vida cotidiana, incluindo companheirismo, envolvimento emocional e atividades sensoriais. Além disso, emergiram importantes questões sobre a segurança e os parâmetros utilizados pelo aplicativo, especialmente no que diz respeito à personalização e adequação às diferentes faixas etárias e experiências de vida das usuárias.

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CONCLUSÃO


O Projeto Euforia foi desenvolvido com o objetivo de levantar questionamentos sobre o prazer feminino em mulheres a partir dos 50 anos. Desde o início até o fim, em todas as suas fases de prototipação, o projeto manteve uma abordagem experimental, seguindo sua própria jornada e revisitando continuamente todas as fases propostas pelos professores, sem seguir uma linearidade rígida. Esta metodologia permitiu uma exploração aprofundada e iterativa, adaptando-se às descobertas e feedback recebidos ao longo do processo.

Este projeto não só abordou as questões inicialmente previstas, mas também revelou outras dimensões importantes, como as questões raciais e de classe social. Todas as mulheres entrevistadas eram brancas, o que levanta preocupações sobre a representatividade no projeto. No quesito de classe social, surgiu uma questão complementar sobre o poder aquisitivo das usuárias do aplicativo. Devido à ampla gama de serviços oferecidos e à natureza paga da assinatura, apenas mulheres com alto poder aquisitivo poderiam usufruir plenamente de todas as funcionalidades do aplicativo, excluindo assim as mulheres de rendas mais baixas.

Quase todas as entrevistadas afirmaram que muitas mulheres procurariam pelo aplicativo e que ele causaria um grande impacto na vida sexual das mulheres a partir dos 50 anos, bem como em sua relação com o prazer.


BIBLIOGRAFIAS


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Meyer, G. A Experimentação como Espaço Ambivalente de Antecipação e Proposição de Controvérsias. Revista Estudos em Design. Rio de Janeiro: v.26/n.1, p. 29–47. 2018.

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ABDO, C. H. N. Quociente sexual feminino: um questionário brasileiro para avaliar a atividade sexual da mulher. Diagn. Tratamento, São Paulo, v. 14, n. 2, p. 89-90, 2009. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/1413-9979/2009/v14n2/a0013.pdf. Acesso em: 07 jul. 2024.




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