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Essencial para quem? Um recorte do design independente em tempos de crise

Atualizado: 28 de ago. de 2024




Contexto da situação de crise – Modo Engajando

 

Durante esta etapa do projeto, como integrantes do grupo, nos reunimos para debater quais situações eram, de fato, mais próximas da nossa realidade para discutirmos neste momento. Surgiram diversos temas como a solidão na velhice, o movimento de golpes através de números falsos de pix no período de enchente, a crise antissocial e afetiva decorrente do uso excessivo das redes e o consumismo. Sendo o recorte específico um requisito da problematização, foi estabelecido que o  tema abordaria o impacto das enchentes e seus reflexos negativos no ecossistema da cadeia socioeconômica do design independente em Porto Alegre – RS, em particular, na feira Open Design, que comercializa produtos ditos “não essenciais”.

Método do processo criativo – Modo Prototipando


Após a finalização do modo engajando, pesquisamos sobre os noventa e oito participantes da Feira Open Design, que tem como objetivo a realização de feiras para a exposição e venda de produtos criados pelos designers independentes da cidade de Porto Alegre. Sendo assim, o grupo se dedicou a pesquisar os perfis nas redes de cada empresa para identificar quais delas haviam sido atingidas pelas enchentes, e foi possível identificar as marcas que foram impactadas diretamente/fisicamente, considerando que algumas pediam por ações de apoio.

Na pesquisa conversamos com a representante da feira, que sinalizou que cerca de trinta negócios foram diretamente afetados, entre designers e artesãos, inclusive na venda online; muitos tiveram toda a produção comprometida e inclusive as casas inundadas. Diante desses números, o impacto nas vendas também foi grande, representando noventa por cento de pausa nas atividades.

Com o evento efetuado no dia 28/06, os microempreendedores obtiveram um lucro considerável, movimentando o mercado e corroborando para a exposição das marcas na mídia. Esse fato contribuiu para que o grupo se questionasse sobre a importância e relevância de abordar tal assunto.

Depois deste momento, definimos o ponto focal e a problematização: foram discutidos subtemas como a importância da beleza em nossas vidas (em momentos de crise), o que é essencial e para quem é essencial. Através dessas análises, a ideia foi criar um protótipo que gerasse uma emoção de “surpresa” através dos desdobramentos – ou efeito dominó, com o objetivo de sensibilizar sobre as consequências entre escolher um produto de varejo ou um outro produzido pelas marcas independentes. 

Para exemplificar, foi escolhido itens de uso cotidiano, essenciais, mas que a sua comercialização passa, por vezes, despercebida na rotina: uma peça íntima feminina e uma tábua de uso doméstico. Para criar a representação do efeito citado, foi feito um protótipo com placas empilhadas. Em um verso do objeto foi mostrado os benefícios de cada escolha, enquanto que no outro lado as consequências de não investir naquele modelo de produção. O objetivo com este método era explicitar a reação em cadeia, para que houvesse uma “tomada de consciência” no consumidor, de modo a mostrar as possibilidades de compra em seus respectivos modelos de negócios. 





As estatísticas pesquisadas demonstraram que os impactos na cadeia econômica do comércio local quando não há comercialização nas feiras ou quando consumimos apenas de grandes comércios provocam efeitos imensuráveis na economia, atingindo diversos outros ecossistemas da sociedade. A realidade é que, dependendo do tipo de produto, este pode ser considerado não essencial para o consumidor, entretanto, a venda de uma peça sempre será essencial para a sustentabilidade das pessoas que dependem dessa comercialização(como o efeito na sua cadeia = transporte/logística, saúde, entretenimento, pequenos comércios de bairros, entretenimento, educação...). 


A jornada para uma escolha mais sustentável – Modo Transformando


A testagem do protótipo desenvolvido pelo grupo, foi realizada em dois grandes centros de circulação na cidade, com o intuito de "experienciar" o impacto e explanar o efeito das diferentes escolhas. A pesquisa demonstrou o desconhecimento da interconexão dos ecossistemas em nossa economia local, bem como os seus respectivos efeitos e desdobramentos nas pequenas escolhas de consumo do dia-a-dia. Foi possível verificar também que pessoas que já consumiam do modelo de comércio do design independente não tinham consciência que as suas escolhas atingiam tantos atores e microempreendedores da região.

Em uma revisão, foi sugerido que o protótipo fosse visualmente mais atraente e questionador para o público sobre os efeitos pretendidos pelo grupo. Dessa maneira, o “experimento” ganhou um segundo protótipo. Esse último modelo explicitava de forma lúdica a “dimensão” dos desdobramentos de privilegiar somente compras em grandes varejos. As ditas “consequências negativas e impactos” foram  representadas por folhas empilhadas na cor amarela. A metáfora desse efeito era sobre os dados estatísticos, considerando a abertura de um grande bloco em metros de folhas. 




Sendo assim, o grupo espera contribuir para a construção de um futuro mais sustentável, empático e responsável, em que as escolhas de consumo sejam feitas com consciência e ética.


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