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Cuidar do Descuido



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Cuidar denota um processo de dar atenção às coisas, perceber se o nosso cuidar, provoca descuido. Ver se a nossa atenção é destinada ou programada para desconsiderar a complexidade dos seres viventes em espaços compartilhados. Cuidamos do que nos é conhecido e esquecemos de cuidar do universo desconhecido, ou mesmo daquilo que preferimos negligenciar. Esses seres não humanos, “invisíveis”, são dotados de cuidado, de resistência. Nós, humanos, somos dominadores – o que “domina” as dores – no sentido de domínio hierarquizado, ainda não aprendemos, apesar da “evolução”, com o nosso próprio cansaço em ir de encontro com os não humanos. Perdemos sempre essa guerra.


Não deve ser guerra, não era pra ser uma competição. As formas de dominação precisam ser analisadas. Trago aqui uns seres não humanos que chamamos de cupins. Em sua sociedade, imersa no nosso complexo ecossistema, os cupins realizam fazeres envolvidos em cuidados. Da atenção com sua rainha à organização das atividades entre os operários e a construção de seus espaços. Portanto, cupins projetam? Eles sabem o que é design de serviços? E design para sustentabilidade? Afinal, eles se organizam estrategicamente, utilizam terra e seus próprios fluidos como materiais para seus projetos de túneis.


Suas casas e/ou túneis, num sistema de expansão de espaços, sobretudo os urbanos, tiram o sono dos dominadores (seres humanos) que habitam as cidades. Há uma luta na demarcação de terras, neste sentido, quem chegou primeiro? Antes do ser humano, os seres não humanos já habitavam? Se sim - e eu acredito que sim - então, os cupins não invadem os espaços, eles simplesmente os reivindicam, os tentam reconquistar.


No protótipo que trago, é demonstrado um processo de cuidar por humanos que descuida o processo dos não humanos. Exterminar os negligenciados, não se configura um processo de atenção, de cuidado. Óbvio! Inspirado em Haraway, que diz: existem venenos que não se pode apagar, como se nunca tivéssemos usados - compreendo que as marcas ficam, se afetam ao mesmo compasso que se é afetado. Os humanos cuidam de suas casas e ao mesmo tempo descuidam ou exterminam os cuidados de outras casas, os cupins lutam pelas seus cuidados e ao mesmo tempo sofrem o extermínio. Cada um se preocupa pelo seu, mas se pensarmos nós em promovermos relações de cuidados mútuos, estamos de fato preparados para compor a tessitura que a vida se sustenta?


Protótipo criado por meio do envolvimento com o texto: PUIG DE LA BELLACASA, M. (2011). Matters of care in technoscience: Assembling neglected things. Social Studies of Science, 41(1), 85–106.

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