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Atmosferar

Atualizado: 23 de jul. de 2024

A partir da leitura dos textos Ontological Designing (Willis, 2006) e Experimental Design Atmospheres, Design and Culture (Meyer & Rache, 2023), meu interesse concentrou-se na relação entre as pessoas e os objetos, e em como, a partir dessa interação, podem-se gerar atmosferas. Compreendi que existem diferentes modos, tanto particulares quanto consensuais, de interpretar a agência dos objetos, considerando o que estes expressam individualmente e em relação a outros. Além disso, entendi que as atmosferas não são puras; elas são mestiças, assemelhando-se a uma melodia orquestral resultante da combinação de elementos que proporcionam uma “aparência” única aos nossos sentidos.

Com essas reflexões iniciais, comecei a explorar minha casa em busca de objetos que pudessem suscitar atmosferas por meio da interação. Durante essa busca, deparei-me com uma coleção de marcadores de página. Percebi que cada marcador é um suporte que carrega não apenas imagens, palavras, texturas e riqueza gráfica, mas também intenções reflexivas do autor, cujo objetivo é provocar sentimentos nos leitores e convidá-los à ação de leitura por meio do objeto.

Ao manusear os marcadores, entendi que, para o experimento, precisava despojar os objetos de sua função original de marcadores de página, concentrando-me apenas em suas intenções reflexivas. Incorporando a ideia de que “as atmosferas dizem respeito aos sujeitos e sua relação com os espaços” (Meyer; Rache, 2023, p. 6), considerei no experimento dois tipos de espaços: o espaço individual e o espaço coletivo, sendo este último representado pela cidade. Para cada um desses espaços, utilizei caixas, com a caixa para o espaço coletivo sendo maior do que a do espaço individual. Despojando os marcadores de suas funções originais e lidando com suas intenções, produzi novas intenções por meio de colagens nas caixas.

O resultado foi um protótipo com duas caixas: uma com a inscrição “você aqui; coração selvagem” para o espaço individual e outra maior com a inscrição “você parou aqui; leituras da cidade” para o espaço coletivo. Além das caixas, incluí diversas intenções soltas. A dinâmica do protótipo ocorre por meio da escolha de cinco intenções para compor o espaço individual e cinco para o espaço coletivo. O protótipo estimula a reflexão sobre o eu e o nós por meio da escolha das intenções, sendo que algumas intenções podem ser contraditórias dependendo da posição. Assim, a cada nova combinação de intenções, surge uma nova atmosfera. Nesse contexto, surge a pergunta: como a atmosfera individual se relaciona, interage ou contrasta com a atmosfera coletiva, e como promover a unicidade entre elas?

Durante a apreciação relacional do protótipo em aula, reafirmou-se a questão de que a atmosfera individual influencia a atmosfera coletiva, e vice-versa. Também foi discutido que, ao materializar o protótipo, ele adquire agência e pode gerar novos argumentos e perspectivas.

 

REFERÊNCIAS:

Willis, A.-M. (2006). Ontological Designing: laying the ground. Design Philosophy Papers, 4 VN-re (2), 80–98.

Guilherme Englert Corrêa Meyer & Cesar Navarro Rache (11 Dec 2023): Experimental Design Atmospheres, Design and Culture, DOI: 10.1080/17547075.2023.2279826

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