A máquina de cuidar e sua rede de nós
- Angelix Borsa
- 23 de set. de 2021
- 2 min de leitura
Por Daniele Lopes, Angelix e Kalvin Piletti
É difícil falar daquilo que não se vê. O designer, simplesmente por ser e pensar, já carrega a responsabilidade de enxergar além do que os artefatos representam em sua forma, tecnologia e significado. Saber olhar além das questões estéticas e das políticas das coisas (Latour, 2005a), remete a trazermos a política do pensamento como uma análise do ver além. Mas como ver além do que está ali, explícito e tangível? Sentir pode ser a resposta. Mas não somente sentir por sentir. É necessário compartilhar esse sentimento com quem também se preocupa em cuidar. Criar uma rede de sentimentos e cuidado nos fornece a energia necessária para transformar, criar e evoluir. É a matéria não humana que diferencia o que é projetado para fins de tecnologias simplesmente complementares, e para solução de problemas criados por nós mesmos. A principal solução que se busca é a cura. Curar é cuidar. Cuidar é se preocupar na essência, é além do humano. Se conectar com os sentimentos que buscam soluções reais é o que traz a mutação.
Não existe um padrão para entender como a conexão acontece, ela é desuniforme, enredada, um emaranhado de sensações e vibrações que se unem e direcionam suas energias para aquilo que se quer transacionar. Urge um pensamento recursivo sobre uma ética do cuidado que seja executada por todas as pessoas, designers e não designers. Nós geramos e cuidamos da rede, e ela cuida de nós em troca.
A máquina do cuidar é isso: uma rede de nós que só se unem porque se atraem no que poderíamos chamar de ligação de sentimentos. Ligar já é sentir. É emoção, é comoção. E quando movimentamos uma rede de sentimentos e energias para a busca de uma solução, é um nó que atamos para assuntos que importam e que necessitam de um querer cuidar real.
O cuidado que deveria nortear o Design, ou a projetação, nada mais é que a política do pensamento, como mencionado por Latour. Com a máquina de cuidar em pleno funcionamento, cada nó vibra na frequência devida e preciosa, unindo o que de fato importa e que é invisível aos olhos dos que não conseguem sentir.

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