A máscara e seus dois contrários
- Guilherme Fllores
- 17 de nov. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 11 de dez. de 2020

A máscara é um acessório utilizado para cobrir o rosto e tem distintos propósitos de uso: lúdicos, religiosos, artísticos e nos dias de hoje para preservar a saúde devido a Pandemia do novo COVID-19. A palavra máscara por sua vez, tem origem no latim mascus ou masca que significa "fantasma", ou no árabe maskhara que pode ser traduzida como como "homem disfarçado".
A relação entre design e experimentação material através de protótipos com a temática de uso de máscaras, encontra-se na discussão de Galey e Ruecker (2010) onde ressaltam o papel dos protótipos ao descrevê-los enquanto entidades capazes de incorporar argumentos e ideias complexas que podem ser utilizadas para tocar questões críticas sobre fenômenos ainda desconhecidos. Neste sentido, muitas vezes a máscara deixa de ser um mero adereço e passa a se tornar um símbolo que expressa significados. Podemos ver isso nas histórias em quadrinhos onde a máscara oculta não somente a identidade, mas assume um outro papel e pode transformar a vida de quem a possui. Um exemplo disso, são os super-heróis que colocam as máscaras e transformam-se naquilo que não são ou gostariam de ser em prol de um objetivo, o que se traduz numa relação de uma dialética de revelação e ocultamento.
Dessa forma, a relação que se faz do design estratégico através da experimentação com protótipo, também em relação a natureza dos atores é que são distintas e dinâmicas, isto é, modificam-se seus interesses e identidades quando estão em contato, ou seja, em uma rede de projetos, onde o objetivo principal é justamente operar e articular com interesses distintos que podem através do protótipo serem identificados, confrontados, sugeridos, transformados na representação material daquilo que se experimenta. Associa-se ainda as máscaras como protótipos por estimular, manifestar e produzir sentidos em relação há alguma coisa e que muitas vezes podem ser controversos, por representar algo que de fato não é. As máscaras por sua vez, transcendem apenas enquanto produtos (utilidade/estética), elas também estimulam a imaginação, a produção de sentido o que opera no campo do intangível (bens, serviços e identidades) e está de acordo com a vocação social dos artefatos (Ibid, 2006). Dessa forma, na dialética entre o que está oculto e o que está revelado, a máscara pode ser a interface, a síntese, entre esses dois contrários.
"Se o ser mascarado pode entrar de novo na vida, se quer assumir a vida de sua própria máscara, ele se confere facilmente a habilidade da mistificação. Acaba por acreditar que a outra pessoa toma sua máscara por um rosto. Crê simular ativamente após ter-se dissimulado facilmente. A máscara é, assim, uma síntese ingênua de dois contrários muitos próximos: a dissimulação e a simulação".
(BACHELARD, 1986:165)
As máscaras por sua vez, transcendem apenas enquanto produtos (utilidade/estética), elas também estimulam a imaginação, a produção de sentido o que opera no campo do intangível (bens, serviços e identidades) e está de acordo com a vocação social dos artefatos (Ibid, 2006). Dessa forma, na dialética entre o que está oculto e o que está revelado, a máscara pode ser a interface, a síntese, entre esses dois contrários.
Referências
Meyer, G. A Experimentação como Espaço Ambivalente de Antecipação e Proposição de Controvérsias. Revista Estudos em Design. Rio de Janeiro: v.26/n.1, p. 29–47. 2018.
Comentários